Conflito religioso faz pastora ameaçar candomblecistas de morte: “Deus mata”

Conflito religioso faz pastora ameaçar candomblecistas de morte: “Deus mata”

 

Uma pastora evangélica está sendo investigada por intolerância religiosa e ameaça de morte contra adeptos da religião candomblé na cidade de Camaçari (BA). O conflito se agravou após a troca por causa de pedradas que danificaram o telhado do templo da igreja Casa de Oração.

A pastora responsável pela congregação, Edineide de Jesus dos Santos, acusou os freqüentadores do terreiro de Oyá Denã de atirarem pedras contra o templo evangélico.

O policial militar sargento Joselito Sena Santana atendia a ocorrência e testemunhou o momento em que a pastora teria ameaçado invadir o terreiro com outros fiéis e quebrar os objetos de culto, e que não se responsabilizaria pelo que poderia acontecer, afinal, poderia sair morte.

“Vocês vão ver o que vai acontecer. Morte é morte. Deus Mata, está na Bíblia”, sentenciou a líder pentecostal.

Além do policial militar, o pastor Lindival Viana Santana e a yalorixá mãe Olina também presenciaram as afirmações de Edineide.

O caso foi parar na delegacia, e o sargento e a yalorixá relataram ao delegado que a pastora havia dito que não iria registrar um Boletim de Ocorrência (B.O.) sobre a quebra do telhado do templo evangélico pois “não tinha tempo para isso”.

De acordo com informações do site Revista Livre, o templo da igreja liderada pela pastora Edineide não possui alvará de funcionamento, e já foi alvo de diversas reclamações por causa do volume dos equipamentos de som durante os cultos, que muitas vezes invadem a madrugada.

A responsável pelo terreiro vizinho à igreja, mãe Mary, registrou um B.O. sobre as acusações e ameaças feitas pela pastora, e o caso está sendo acompanhado de perto pelo Ministério Público, através da promotora de Justiça da Cidadania e Direito do Consumidor, Thiara Rusciolelli Souza Bezerra.

Terreiro de Candomblé Ilê Axé Oxumaré (BA) é tombado

Terreiro de Candomblé Ilê Axé Oxumaré (BA) é tombado

 

Foi publicado no Diário Oficial da União (DOU), o tombamento do Terreiro de Candomblé Ile Axé Oxumaré, em Salvador (BA). O local é considerado um dos mais antigos centros de culto afro-brasileiro da Bahia. O conjunto é destinado às práticas religiosas e tem comprovada e duradoura tradição na Bahia, já declarado Território Cultural Afro-Brasileiro.

O tombamento definitivo Ile Axé Oxumaré foi aprovado em novembro do ano passado pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A solicitação foi feita em 18 de setembro de 2002, pelo sacerdote Babalorixá Agoensi Danjemin, supremo dirigente do Ylê Oxumarê, e pelo presidente da Sociedade Cultural Religiosa São Salvador – Ylê Oxumarê, Silvanilton Encarnação da Mata.

O Terreiro de candomblé é o sétimo protegido pelo Iphan, os outros seis são Casa Branca, Ilê Axé Opô Afonjá, Gantois, Alaketu e Bate-folha, na Bahia em Salvador, e a Casa das Minas Jejê, em São Luís (MA).

 

Aluno barrado por usar guias de candomblé

Aluno barrado por usar guias de candomblé

 

O estudante de 12 anos, barrado pela diretora de uma escola municipal por usar bermudas brancas e guias por baixo do uniforme, se encontrará com o prefeito do Rio, Eduardo Paes. O encontro será na Prefeitura,uma sindicância foi aberta pela Secretaria Municipal de Educação para apurar o caso e, segundo o município, todas as medidas cabíveis serão tomadas ao fim da apuração.

O prefeito Eduardo Paes e a secretária de Educação, Helena Bomeny, vão receber pessoalmente o aluno da rede municipal de ensino, que irá ao encontro acompanhado de sua mãe.

A Prefeitura do Rio, através de nota, informou que não admite qualquer tipo de discriminação nas unidades escolares da Rede Municipal.

O estudante da quarta série do ensino fundamental Escola Municipal Francisco Campos, no Grajaú, na Zona Norte do Rio, foi barrado pela diretora da instituição por usar bermudas brancas e guias por baixo do uniforme, segundo a família.

A rotina de ir à escola virou motivo de constrangimento para um aluno que estava se iniciando no candomblé.

“Antes de ele entrar para o candomblé, eu avisei para a professora e ela logo disse que ele não entraria no colégio. Eu expliquei que ele teria que usar branco e as guias, mas ela não aceitou”, contou indignada a mãe do estudante  Rita de Cássia.

Depois quase um mês sem ir à escola, o jovem tentou voltar. “Eu levei o meu filho e, na porta da escola, ela [diretora] não viu que eu estava atrás e colocou a mão no peito dele e disse: ‘Aqui você não entra’. E eu expliquei que ele teria que usar as guias e o branco por três meses e aí ela respondeu: ‘O problema é seu’”, disse Rita de Cássia.

Rita ressaltou que o filho de sentiu humilhado diante dos amigos do colégio e chorou muito. “Se ela estivesse esperado todo mundo entrar e me chamasse no canto para tentar encontrar uma forma para colocar ele pra dentro seria uma coisa. Mas, não. Ela barrou ele na frente de todo mundo. Eu discuti, falei palavrão feio pra ela, eu admito, mas ela não poderia ter feito isso com ele. Ele foi muito humilhado”, afirmou a mãe.

O jovem de 12 anos foi definido pela mãe como uma criança determinada. Apesar do constrangimento, Rita contou que o filho em momento algum pensou em abrir mão dos ideais do candomblé.

“A escolha de entrar para o candomblé foi dele. Ele sabe o que quer, é muito firme nas decisões. Por nada ele larga a religião dele. Quando aconteceu isso tudo ele disse: ‘Se eu fosse muçulmano ou qualquer outra coisa eu deveria ser respeitado, isso é discriminação’”, lembrou a mãe.

Segundo Rita, o jovem caminhou até em casa de cabeça baixa, teve febre e perdeu o interesse de retornar à escola. “Se o meu filho estivesse com drogas, se tivesse arma tenho certeza que eles iam tampar os olhos”, reclamou.

Depois de quatro dias do episódio, ele foi transferido para a Escola Municipal Panamá, também no Grajaú, onde foi bem recebido pela diretoria, professores e estudantes.

“Depois que eu fui lá para pedir a transferência a diretora disse que não gostaria que eu levasse ele porque ele era um ótimo aluno. Mas o que ela não poderia era ter feito meu filho passar vergonha. Depois que ele foi tão humilhado, meu filho foi muito bem aceito na escola nova. Todo mundo me apoiou. Pra quem é mãe é muito difícil ver um filho sofrendo esse preconceito”, disse emocionada Rita de Cássia.

 

Terreiro de candomblé é incendiado na Baixada Fluminense

Terreiro de candomblé é incendiado

     na Baixada Fluminense

 

Em seis anos, é o sexto atentado contra a casa e sua dona, a mãe Conceição de Lissá, que vê perseguição religiosa nos ataques.

RIO - O segundo andar do barracão de candomblé de mãe Conceição de Lissá, de 53 anos, foi incendiado no bairro Jardim Vale do Sol, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, na noite desta quinta-feira, 26. Nos últimos seis anos, esse já é o sexto atentado contra a casa e sua dona, que também foi vítima de uma tentativa de homicídio. Sem apontar suspeitos, ela afirma que há cunho religioso, já que sua vida "é pautada na questão religiosa".

De acordo com a mãe de santo, os invasores cortaram o arame farpado em cima do muro para entrar na casa, que funciona apenas para as sessões religiosas. Sem conseguirem entrar no primeiro andar, onde ficam a cozinha, os quartos e o salão dedicado aos santos, quebraram a corrente e o cadeado e entraram no segundo andar, onde ficam guardadas as roupas de santo e outros itens usados nas sessões. Os criminosos atearam fogo no nível superior, que estava em obras para ampliação do espaço, e ficou completamente destruído. O telhado veio abaixo.

"Não sobrou nada, foi uma perda inestimável. Estou me sentindo como se fosse uma mulher estuprada, me pergunto o que fiz de errado para isso acontecer", lamentou a mãe Conceição. "Estou vivendo aquela situação em que a vítima começa a achar que foi a causadora (do ataque). É uma sensação muito ruim."

O incêndio foi  registrado, na 62ª Delegacia de Polícia (Imbariê, em Duque de Caxias) como intolerância religiosa, assim como os outros casos, exceto a tentativa de homicídio que ela afirma ter tentado acrescentar a motivação religiosa no boletim, mas não foi possível. Nenhum suspeito foi identificado até hoje.

A reportagem do Estado entrou em contato a Polícia Civil, mas não obteve resposta até as 14h30 desta sexta-feira. Em protesto contra a não resolução dos casos, a mãe de santo e o sacerdote Luis Eduardo Negrogun iniciaram uma greve de fome para que "o Estado intervenha nas investigações sobre a série de ataques" ao barracão.

"Queremos que o Estado se manifeste de maneira efetiva contra a intolerância religiosa e o racismo porque quando o caso acontece em um estádio de futebol todo mundo vê, mas quando é na nossa casa ninguém olha", declarou a mãe Conceição. "É inadmissível que em um Estado laico a gente ainda passe por essas privações", disse ela, que foi candidata a deputada federal pelo PC do B, em 2010.

O barracão funciona há 13 anos no Jardim Vale do Sol. Há sete, ela e a família se mudaram para o bairro e, desde então, começaram as ameaças à mãe de santo e às pessoas com funções de santo e as depredações no terreiro. Há um mês, o carro de Leonardo Duran, filho de santo de Conceição, foi incendiado na porta do barracão. Na tentativa de homicídio, também atiraram na casa e no barracão, que fica na mesma rua.

Conceição diz que tem recebido ligações no barracão, no entanto, a pessoa permanece muda do outro lado da linha. "Tenho a impressão de que é para saber se tem gente na casa."

Ela diz que, pela primeira vez, pensa em pedir proteção policial. "Acho que o Estado está esperando que eu seja assassinada para tomar uma postura. Esperamos que eles nos vejam , nos ouçam e façam uma coisa."

De acordo com a Defesa Civil, as paredes do segundo andar da casa terão que ser reforçadas caso o espaço seja reconstruído. "Estávamos expandido a casa, a obra estava inacabada. Não faço ideia de quanto tempo vai demorar  para recuperar tudo."

 

Terreiro de Candomblé é tombado em Salvador

Terreiro de Candomblé é tombado em Salvador

 

Foi publicado nesta quinta-feira (10), no Diário Oficial da União (DOU), o tombamento do Terreiro de Candomblé Ile Axé Oxumaré, em Salvador (BA). O local é considerado um dos mais antigos centros de culto afro-brasileiro da Bahia. O conjunto é destinado às práticas religiosas e tem comprovada e duradoura tradição na Bahia, já declarado Território Cultural Afro-Brasileiro.

O tombamento definitivo Ile Axé Oxumaré foi aprovado em novembro do ano passado pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A solicitação foi feita em 18 de setembro de 2002, pelo sacerdote Babalorixá Agoensi Danjemin, supremo dirigente do Ylê Oxumarê, e pelo presidente da Sociedade Cultural Religiosa São Salvador – Ylê Oxumarê, Silvanilton Encarnação da Mata.

O Terreiro de candomblé é o sétimo protegido pelo Iphan, os outros seis são Casa Branca, Ilê Axé Opô Afonjá, Gantois, Alaketu e Bate-folha, na Bahia em Salvador, e a Casa das Minas Jejê, em São Luís (MA).

SÍMBOLO DE RIQUEZA - A Oxumarê é o orixá do movimento e dos ciclos vitais que geram as transformações, em que o santuário é consagrado. Na tradição ioruba, os orixás são ancestrais divinizados que correspondem às forças da natureza. Portanto, seus arquétipos estão diretamente relacionados às manifestações dessas forças.

Segundo a tradição, Oxumarê é símbolo da riqueza, da continuidade e da permanência, é a serpente -arco-íris, que representa a união entre o céu e a terra, o equilíbrio entre os orixás e os homens. É uma divindade muito antiga, participou da criação do mundo enrolando-se ao redor da terra, reunindo a matéria e dando forma ao Mundo. Sustenta o Universo, controla e põe os astros e o oceano em movimento. Rastejando-se pelo Mundo, desenhou seus vales e rios. É a grande cobra que morde a cauda, representando a continuidade do ciclo vital. Sua essência é o movimento, a fertilidade, a continuidade da vida.

O dia da semana de culto à Oxumarê é a terça-feira, suas cores são o amarelo e o verde, ou preto, além das cores do arco-íris. Seus símbolos são o Ebiri, espécie de vassoura feita com nervuras das folhas das palmeiras, a serpente, o círculo e o bradjá, colar de búzios, e sua saudação é A Run Boboi.

 

Praticantes de candomblé e umbanda denunciam casos de discriminação

Praticantes de candomblé e umbanda

denunciam casos de discriminação

Representantes de religiões de matriz africana entregaram, nesta terça-feira (10), ao presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, carta em que denunciam a discriminação do Estado brasileiro contra praticantes de Candomblé e Umbanda. Dezenas de religiosos estavam reunidos no Salão Verde quando encontraram o presidente.

Marcos Rezende, do Coletivo de Entidades Negras, explicou a Henrique Alves que a intolerância a essas religiões tem aumentado no Brasil.

"Esta carta tem casos de intolerância no Brasil inteiro. Vamos entregar na presidência um documento com mais de trezentos casos de intolerância religiosa no Brasil, com notícias de pessoas que morreram, foram violentadas. O dia 21 de janeiro é o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Gostaríamos que esta Casa, inclusive, reconhecesse a importância do dia 21 de janeiro como um dia para ser discutido com profundidade."

Em resposta, o presidente Henrique Eduardo Alves convidou os religiosos a voltarem à Câmara em julho em uma audiência na presidência.

O presidente Henrique Eduardo Alves marcou uma audiência com os religiosos para julho.

"Em julho, vamos ter duas semanas de trabalho normal até o dia 15. Vamos marcar em uma semana em julho um encontro aqui."

Esta foi a segunda vez em poucas semanas que defensores das religiões de matriz africana participaram de ato no Congresso. No fim de maio, eles estiveram na Câmara para o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa dos Povos Tradicionais de Terreiro. A ocupação de espaços públicos em Brasília vem em um momento em que essa comunidade luta pelo reconhecimento da liberdade religiosa e o respeito aos lugares de culto e a seus sacerdotes, como destaca Marcos Rezende.

"Voltaremos aqui com muita freqüência porque o que nós precisamos é que esta Casa entenda que este Brasil precisa dialogar com todas as religiões. Este é um Estado laico e, como Estado laico, tem que garantir a liberdade religiosa conforme prevê a Constituição e fazer com que se tenha harmonia porque não conheço religião que pregue o desamor."

Marcos Rezende lembrou os vídeos discriminatórios postados no site YouTube recentemente, cuja veiculação foi mantida em decisão judicial polêmica. Na ação, um juiz negou pedido do Ministério Público Federal para retirar o material da internet, considerado ofensivo a essas religiões. Na decisão, o juiz afirmou que Umbanda e Candomblé não eram religiões. Depois de forte reação negativa, o magistrado modificou a argumentação, porém continuou negando a retirada dos vídeos porque, segundo ele, a liberdade de expressão estaria em jogo.

Rezende também criticou que canais de rádio e TV, resultado de concessão pública, mantenham programas com teor discriminatório às religiões de matriz africana.

 

Juiz volta atrás e agora considera candomblé e umbanda como religiões

Juiz volta atrás e agora considera  candomblé

e umbanda como religiões

 

O juiz Eugênio Rosa de Araújo, da 17ª Vara Federal no Rio de Janeiro, voltou atrás e emitiu, na tarde de ontem, uma retificação na qual reconhece o caráter de religião dos cultos afro-brasileiros, como a umbanda e o candomblé. Na semana passada, o juiz foi alvo de várias críticas após divulgar decisão na qual considerava que os cultos não eram religiões por não terem um livro-base, não cultuarem uma única divindade ou terem uma hierarquia fixa.

Na nota, o magistrado menciona o “forte apoio” aos cultos pela mídia e pela sociedade civil e diz que tal manifestação “demonstra, por si só, e de forma inquestionável, a crença no culto de tais religiões, daí porque faço a devida adequação argumentativa para registrar a percepção deste juízo de se tratarem os cultos afro-brasileiros de religiões (...)”. A retificação não altera, no entanto, o mérito da decisão original, que negou pedido de liminar do Ministério Público Federal (MPF) sobre a retirada da internet de vídeos da Igreja Universal do Reino de Deus com supostos ataques e ofensas às religiões.

 

Umbanda é homenageada em selo dos Correios

Umbanda é homenageada em selo dos Correios

 

O selo traz a imagem, com fundo vermelho, do fundador da Umbanda, Zélio Fernandino de Moraes, e destaca dois atabaques, instrumentos musicais utilizados na prática dos rituais de Umbanda e símbolos oficiais da religião

A técnica utilizada foi desenho digital, pela artista Lidia M. H. Neiva. A tiragem é de 600 mil selos, com valor facial de R$ 1,20 cada (Foto: Divulgação/Assecom)

Os Correios realizam nesta quinta-feira (15) o lançamento do selo especial Umbanda - Sincretismo Religioso Brasileiro, durante sessão solene em homenagem à Umbanda, às 20h, na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. A cerimônia ocorre no Plenário Juscelino Kubitschek de Oliveira, com a presença do presidente dos Correios, Wagner Pinheiro de Oliveira, do deputado federal Vicentinho e dos deputados estaduais Gerson Bittencourt, Leci Brandão e Luis Claudio Marcolino, além de líderes religiosos.

O selo traz a imagem, com fundo vermelho, do fundador da Umbanda, Zélio Fernandino de Moraes, e destacam dois atabaques, instrumentos musicais utilizados na prática dos rituais de Umbanda e símbolos oficiais da religião. A técnica utilizada foi desenho digital, pela artista Lidia M. H. Neiva. A tiragem é de 600 mil selos, com valor facial de R$ 1,20 cada.

 

Governo promove empreendedorismo dos terreiros de candomblé

 

Governo promove empreendedorismo dos terreiros de candomblé

 

Para potencializar a comercialização da produção dos terreiros de candomblé de Salvador e Região Metropolitana, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes) e da Casa Civil, promove  o Desfile de Moda e Arte nos Terreiros – Cultura e Empreendedorismo Familiar. Executado pelo Programa Vida Melhor Urbano, o evento acontece na Praça de Oxum Terreiro Ilê Axé Iyá Nassô Oká – Casa Branca, na Vasco da Gama.

Durante o desfile, serão exibidos elementos da moda afro baiana, a exemplo do pano da costa, souvenires, torços, bijuterias, confecções masculina e feminina, entre outros. Os produtos foram confeccionados por religiosos de Matriz Africana que pertencem a 17 terreiros de Salvador e Lauro de Freitas.

De acordo com Ailton Florêncio, coordenador do Vida Melhor Urbano, a atividade atende ao pleito dos Povos de Terreiros de Salvador e RMS. “ Nossa meta é valorizar a cultura afro-baiana, com ações de fortalecimento da produção de vestuário, artesanato e souvenires, além do apoio com equipamentos, insumos e comercialização, direcionados à geração de trabalho e renda das famílias”.

O desfile terá como organizações parceiras representativas a Sociedade São Jorge do Engenho Velho, Espaço Cultural Vovó Conceição, Rede Mauanda Bankoma, Rede Religiosa de Matriz Africana do Subúrbio (RREMAS), Instituto Nacional de Tradição Cultura Afro – INTECAB-BA e a Fundação Acua – Colômbia.

 

 

 

Terreiros lutam por direitos históricos

Terreiros lutam por direitos históricos

 

A dificuldade de os terreiros de culto de matriz africana obterem a regularização do terreno onde estão instalados e, por conseguinte, os benefícios fiscais garantidos na Constituição, como a isenção do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). Esses assuntos foram discutidos em audiência pública no Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador, na manhã desta sexta-feira (27), por iniciativa do vereador Sílvio Humberto (PSB).

No debate com mães e pais de santo, o vereador Sílvio Humberto pediu a prorrogação do prazo de recadastramento do IPTU (que termina na próxima segunda-feira, dia 30) e defendeu a simplificação dos processos que asseguram aos terreiros de candomblé a sua legalização fundiária. Para ele, a regularização fundiária e isenção de IPTU são direitos históricos.

Para obter os benefícios legais, conforme Waldir Brito, coordenador de tributação da Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz), o terreiro tem que possuir um Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), documento conseguido quando o terreiro passa a ser uma entidade. Sem contestar a garantia da imunidade tributária, observou que o Município precisa ser provocado pelos terreiros.

Recadastramento

Sobre a prorrogação do prazo para o recadastramento do IPTU, um pedido do vereador Sílvio Humberto, Waldir Brito disse que o procedimento começou em agosto, não vendo motivo para acontecer uma dilatação da data. Segundo ele, a possibilidade poderia ser estudada caso houvesse uma pane no sistema.

No entendimento de Makota Valdina, o terreiro tem que ser visto de forma diferente e com leis específicas. Ao apontar a existência de um racismo institucional que vem de cima, frisou que o candomblé é resistência e é um mundo diferente na vivência do sagrado. Ela alertou para os casos de arrendamento dos terrenos onde estão instalados alguns terreiros.

No entendimento da defensora pública Maíra Calmon, do Núcleo Fundiário, os terreiros, por questões históricas, vivem na informalidade, precisando de ajuda para garantir os seus direitos. Segundo ela, a Defensoria Pública vai se posicionar com relação à multa por não cadastramento do IPTU e colocará em prática um projeto para atender aos terreiros, começando por Brotas e adjacências.

Desigualdade

Conforme a advogada Juliana Freitas, coordenadora da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Governo do Estado da Bahia (Sepromi), imunidade tributária e regularização fundiária são coisas distintas. Ela pediu o rompimento da desigualdade histórica e frisou que, se um terreiro for tributado, então existe a violação da liberdade religiosa.

O presidente do Conselho Municipal da Comunidade Negra, Eurico Alcântara, informou que 80% do povo de santo não possui CNPJ e faz culto na própria residência. Ele pediu menos burocracia para assegurar os direitos do povo de santo.

Inserido na luta contra a intolerância religiosa, o pastor protestante Djalma Torres lamentou a demora de mais de um mês para conseguir o CNPJ. Peço um gesto benevolente da Sefaz, implorou.

Também participaram do debate diversas mães e pais de santo, a exemplo de Ebomi Nice. Outros representantes da prefeitura e da Defensoria Pública também se posicionaram, reconhecendo direito histórico dos terreiros de candomblé.

 

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